Cultura em Expansão
07-03-2017
Fazer "a cultura vaguear pela cidade" e provocar "transumância de públicos" são dois dos grandes objetivos da programação deste ano. Todas as atividades são de entrada gratuita e abertas ao público em geral.

A par do cinema, teatro e música, a programação tem como quarto pilar os "Laboratórios", iniciativas de experimentação em diversas áreas e que envolvem artistas locais.

 

A iniciativa da Câmara Municipal do Porto tem como mecenas a Mota Engil/Fundação Manuel António da Mota.



Laboratórios

Música, Teatro, Cinema... ação!


ARQUIPÉLAGO - LABS

 

O Arquipélago - LABS surge como novo meio de desenvolver um trabalho artístico reticular, inscrito na cidade, que é característica distintiva deste projeto.

 

Os LABS realizam-se ao longo do ano, em dois momentos, sempre com uma ligação aos conteúdos da produção profissional da Ao Cabo Teatro. Os participantes serão igualmente estimulados a envolver-se nas produções profissionais, enquanto observadores, e a colher daí recurso que serão depois desenvolvidos no trabalho em estaleiro.

 

LAB 1 - Português Suave

1-19 maio / 26 junho - 8 julho

Largo do Ouro

A partir de cenas da Dramaturgia Portuguesa

 

LAB 2 - Os idos de Março

16 outubro - 3 novembro

Círculo Católico Operário

A partir de cenas de Júlio César e Timão de Atenas, de W. Shakespeare



TRÁFICO

João Salaviza e Ricardo Alves Jr.

17 dezembro

Teatro Municipal Rivoli - Auditório Isabel Alves Costa (Praça D. João I)

16h00

30 min.

M6

 

A cidade e o cinema, lugares de risco. Encontro de corpos e máquinas. Cruéis geografias centrífugas. No Verão de 2017, um grupo heterogéneo de moradores do Porto reúne-se regularmente para traficar as suas histórias.

 

As camadas destas narrativas fortuitas e fragmentos de intimidade serão a matéria para um filme realizado por João Salaviza e pelo realizador brasileiro Ricardo Alves Jr.



OUPA!

17 dezembro

Teatro Municipal Rivoli - Auditório Manoel de Oliveira (Praça D. João I)

17h00

90 min.

M6

 

OUPA! é um projeto de intervenção social e artística iniciado pela Câmara do Porto em 2014, que começou no Bairro do Cerco, teve a sua segunda edição em Ramalde e este ano será desenvolvido no Bairro da Pasteleira. Seis meses de residência artística com jovens do bairro, em oficinas de escrita, produção musical, vídeo, performance, promoção e produção de espetáculos, que pretendem estimular o espírito do it yourself e promover o sentimento de pertença (ao bairro e à cidade). Para celebrar e culminar todo o processo de trabalho, o Rivoli servirá de palco ao grande espetáculo final, onde a vida e a música, o bairro e a cidade, se tornarão uma e a mesma coisa.



Música

Dueto para Um

 

Dueto para Um é o novo projeto de música do Cultura em Expansão. Um miniciclo de duplas musicais que incluem nomes que marcaram, e ainda marcam, a música portuguesa - e também as artes visuais!


FILHO DA MÃE E JOÃO PAIS FILIPE

7 abril

Associação Recreativa Malmequeres da Noêda (Travessa da Miraflor, 17)

21h30

60 min.

M6         

 

O primeiro concerto do ciclo Dueto para Um apresenta em estreia dois músicos que, apesar das linguagens díspares em que se movem, têm muito em comum: um sentido de virtuosismo trabalhado e esculpido detalhadamente em várias formas. Neste encontro, em estreia nos Malmequeres de Noêda, os dois músicos cruzarão as suas expressões distintas num momento de criação único, trazendo os arranjos rendilhados da guitarra para a polirritmia taquicárdica da percurssão.

 

 

SÉRGIO GODINHO E FILIPE RAPOSO

Recital, voz e piano

27 maio

Associação de Moradores da Bouça (Rua dos Burgães, 345)

21h30

90 min.

M6

 

Cantor, compositor, escritor, ator (de teatro e cinema), Sérgio Godinho é, para citar uma das suas canções clássicas, o verdadeiro "homem dos sete instrumentos".

 

Contando com uma carreira artística de invejável longevidade que se prolonga há mais de 40 anos de modo intocável, seria redutor destacar um dos títulos da sua vasta discografia, em estúdio e ao vivo, iniciada com "Os Sobreviventes" e continuada até à data com "Liberdade - Ao Vivo" ou, destacando apenas a última das suas colaborações, com Jorge Palma no projeto "Juntos".

 

A propósito deste projeto, disse: "explorar de uma outra forma as minhas canções foi uma bela maneira de pensar em mim próprio e nas vidas criativas que fui atravessando. Escolhi algumas entre muitas, de amores desamores confortos desconformidades redenções, e convidei apenas um pianista, o grande Filipe Raposo, para me acompanhar".

  

 

SIMONE DE OLIVEIRA

Voz e Piano

1 julho

Auditório da Junta de Freguesia de Campanhã

21h30

75 min.

M6

 

Verdadeiro ícone de várias gerações de artistas, Simone de Oliviera é um dos maiores nomes da história da música portuguesa dos últimos 50 anos.

 

Neste espetáculo íntimo e de "olhos nos olhos", acompanhada ao piano por Nuno Feist, serão revisitados alguns dos momentos mais marcantes da sua magnífica carreira, canções intemporais e histórias de uma mulher fascinante. Tudo isto tornar-se-á ainda mais singular com a participação de Diogo Evangelista, um dos nomes mais relevantes da arte contemporânea portuguesa e que criará o cenário da performance.

 

 

EDGAR PÊRA E RUI LIMA & SÉRGIO MARTINS

Cineconcerto

25 novembro

Fontainhas - local a definir

21h30

Duração/classificação etária a anunciar

 

Os cineconcertos de Edgar Pêra são eventos meteóricos, um ping pong cinemusical que se distingue dos filmes-concerto, em que uma banda interpreta musicalmente as imagens projetadas. Nos cineconcertos concebidos por Pêra há uma interação constante entre imagens e sons, um vai e vem entre os músicos e o cineasta. Misturando imagens pré-montadas com imagens captadas em direto, ambas sujeitas a efeitos de transformação live, fazendo destes eventos momentos únicos e irrepetíveis.

 

Com Edgar Pêra estará a dupla Rui Lima &Sérgio Martins, que conhecemos bem das múltiplas bandas sonoras que assinam para vários projetos de artes performativas.



Cineclubismo

9 e ½ e Você Decide!

 

Com três anos de vida e mais de 90 sessões realizadas por toda a cidade, o Nove e Meia - Cineclube Nómada é uma aposta ganha e consolidada do Cultura em Expansão que é retomada este ano, entre maio e dezembro.

 

O cinema acontece também em 2017 com o Você Decide!, o novo formato dos três cineconcertos que são propostos para Aldoar, onde quem manda é o público.



NOVE E MEIA

Cineclube Nómada

20 maio

3, 17 junho

1, 15, 29 julho

12, 26 agosto

9, 23 setembro

7, 21 outrubro

4, 18 novembro

2 dezembro

Bairro da Lomba - Associação de Moradores da Lomba (Rua de Vera Cruz, 24 A)

21h30

Duração/classificação etária a anunciar

 

Dois anos de cineclubismo inserido em comunidades sem contacto com o Cinema como forma de expressão artística e cidadã permitem que se retome esta aventura de programação com um conhecimento aprofundado do terreno e com plena consciência de que a dificuldade de acesso aos bens culturais não é apanágio da suburbanidade. As ilhas de privação dentro do corpo de cidade a que chamamos centro são muitas. Optou-se pois por prosseguir o 9 e½ no Bairro da Lomba e numa instituição de raparigas.

 

Além destes frutos da reflexão sobre o percurso passado, o 9 e ½ organizará duas Oficinas, gratuitas, de Iniciação ao Cinema no Colégio Barão Nova Sintra e no Lar Nossa Senhora do Livramento. Mobilizando essas competências, estabelecer-se-á com os jovens espectadores uma ponte entre o VER e o FAZER, entre o OLHAR e a OBRA.

 

  

VOCÊ DECIDE!

Filmes Pedidos

António-Pedro, Eduardo Raon e Ricardo Freitas

Companhia Caótica

1 outubro

19 novembro

3 dezembro

Auditório do Centro Paroquial de Aldoar (Rua Professor Melo Adrião, 106)

17h00

40 min.

M6

 

Quando o cinema nasceu, no tempo do mudo, surgiram também os músicos acompanhadores de filmes que, no encontro com a imagem, improvisaram as primeiras bandas sonoras. Inspirados por este primeiro encontro entre música e cinema e composição e improvisação, António-Pedro, Ricardo Freitas e Eduardo Raon preparam-se para um encontro único e desconhecido: o da sua música com os filmes que nunca viram. No início os espectadores escolhem, do menu do dia, o filme que querem ver e o improvisado encontro de sons e imagens começa...



Teatro

Arena e O Palco é a Cidade

 

Arena é um novo projeto composto por monólogos absolutamente singulares na criação teatral portuguesa, de hoje e dos últimos anos, e que são apresentados num dispositivo cénico configurado pelo próprio público.

 

E porque O Palco é a Cidade, as propostas de artes performativas em 2017 incluem mais projetos teatrais de criação prolongada, de trabalho com atores amadores, e cujas propostas permitem refletir sobre identidade e território.



ODE MARÍTIMA (ARENA)

Diogo Infante e João Gil

25 março

Associação dos Moradores do Bairro Social da Pasteleira - Previdência/Torres (Rua Gomes Eanes de Azurara, 129)

21h30

70 min.

M12

 

Ode Marítima assinala o início do Cultura em Expansão. Em Ode Marítima, amanhece e um homem observando um porto marítimo assume o comando de um paquete que não chegou a entrar no cais. Parte deste cais, mimese imperfeita do cais absoluto, numa viagem feita dentro de si mesmo, perpetrando imaginariamente todos os comportamentos humanos e procurando "sentir tudo de todas as maneiras". Nesta viagem imaginária em que símbolos e sensações se confundem sem o recurso da razão, este texto usa ainda o recurso do imaginário marítimo português sustentando nessa metáfora de fluxo e refluxo do movimento do mar a contradição violenta de um homem que tenta reconetar e unir diferentes sensações de identidade, transformando-se ele no cais e no destino, revelando a sua pluralidade de sentidos e tornando corpórea a viagem.



SARNA (ARENA)

Assédio Teatro

22 abril

Associação dos Moradores do Bairro Social da Pasteleira - Previdência/Torres (Rua Gomes Eanes de Azurara, 129)

21h30

90 min.

M16

 

Sarna é a história de muitas e imaginárias vinganças de esquina escura, e de falhados sonhadores. A peça articula dois monólogos interpretados pelo mesmo ator, Pedro Frias. No primeiro, narra-se, pela boca do perseguidor, a perseguição e martírio de Rookie Lee, acusado de contaminar o gang com sarna. O segundo é o de Rookie Lie, e narra o modo como o seu perseguidor morre para salvá-lo. O calão violento e grosseiro, um trabalho de linguagem em permanente reinvenção do seu estatuto, dão marca de um universo urbano em desagregação, por todos os lados ameaçado, condição metaforizada na doença de pele.



NOITE DE REIS (ARENA)

Dez personagens e um cão

Uma criação de John Mowat/Leonor Keil a partir de "Noite de Reis" de W. Shakespeare

17 junho

Associação dos Moradores do Bairro Social da Pasteleira - Previdência/Torres (Rua Gomes Eanes de Azurara, 129)

21h30

60 min.

M12

 

Confusão, caos, troca de identidade, intriga,amor, luxúria, embriaguez, comportamento desenfreado, artimanha, demência,sedução, lascívia são conjurados pela Leonor Keil na sua interpretação a solo que dá vida à galeria dos personagens cómicos de uma "Noite de Reis" de Shakespeare. Um espetáculo de Teatro Visual que procura explorar o Teatro e o ato de representação, privilegiando o lado físico e visual.

 

 

FÉ, CARIDADE E ESPERANÇA (O PALCO É A CIDADE)

Tónan Quito

7-9 julho

Campanhã - local a definir

21h30

90 min.

M12

 

Nesta comédia de 1932, Horváth mostra-nos uma sociedade cínica, mesquinha e egoísta, sempre pronta a desumanizar-se, num período de decadência material, espiritual e moral. Para o autor este poderia ser o título de todas as suas peças (como afirmou), "pois todas assentam num tempo em que acreditar, amar e ter esperança são uma utopia necessária".

 

A peça conta-nos a história de Elisabeth, que procura desesperadamente a sua sobrevivência e acaba vítima da máquina doestado, onde não é permitido que um indivíduo siga os seus sonhos; no início ela tenta vender o seu corpo ao Instituto de Medicina Legal porque precisa de dinheiro; é acusada de fraude e acaba rodeada de pessoas abandonadas e maltratadas pelo estado, até encontrar por breves momentos o amor; mas cansada de ser "perseguida" acaba por se atirar ao rio apagando a única réstia de esperança.

 

É possível sermos humanos em tempos de crise?

 

 

RECLAIM THE FUTURE/EXIGE O FUTURO (O PALCO É A CIDADE)

Visões Úteis

Durações/classificações etárias a anunciar

 

13 julho - 10h00 e 15h00

Associação Recreativa Malmequeres de Noêda  e Mira Fórum

Da mesma laia - conversas e embaraços sobre arte e comunidade

 

14 julho - 21h30

Mira Fórum

C'est tout, um espectáculo sueco reconstruído por portugueses

 

15 julho - 17h00

Praça da Corujeira

Parada desatada - de São Vicente de Paulo ao Matadouro

 

O Visões Úteis leva a Campanhã este projeto europeu a dois anos, em que se associa a parceiros da Suécia, Escócia, Letónia e França. Inspirando-se na energia e no potencial de mudança que caracterizamos Carnavais, cada parceiro desenvolverá no seu país um conjunto de atividades que culmina em três dias de apresentações públicas. Formação para as comunidades locais para a criação de uma parada no espaço público, adaptação de espetáculos dos parceiros internacionais, conferências, investigação, realização de um documentário, são algumas das actividades incluídas neste projeto, que terminará em 2018 com um evento em Bruxelas, construído coletivamente e integrando elementos e contributos das comunidades locais dos diferentes países.

 

 

ESPÍRITO DO LUGAR 3.0 (O PALCO É A CIDADE)

Circolando Crl

15-17 setembro

Fontainhas (Praça da Alegria, Rua do Sol)

18h00

120 min.

M6

 

No seguimento das edições anteriores, continua o ciclo de trabalho de longa duração Espírito do Lugar. O repto está lançado: caminhar à descoberta de uma outra cidade, procurar fundamentalmente os espaços invisíveis, deslocados e periféricos no interior desta.

É traçado um percurso num território diferente e propõe-se uma visão singular sobre o lugar. Em cada espaço, é valorizada a sua dimensão existencial, a mistura de discursos, memórias, sensações, vivências, a multiplicidade de camadas e a pluralidade de durações.

 

Em 2017, o território de ação centrar-se-á nas Fontainhas, Praça da Alergia - Rua do Sol. As apresentações terão lugar in situ e em todo o processo será estimulada a grande proximidade e colaboração com os habitantes locais.

 

 

CONQUISTA DE CEUTA (ARENA)

Rui Catalão

30 setembro

Associação dos Moradores do Bairro Social da Pasteleira - Previdência/Torres (Rua Gomes Eanes de Azurara, 129)

21h30

90 min.

M12

 

Em Conquista de Ceuta Rui Catalão dispõe o público em palco como um grupo de excursionistas sentado pela memória, em que a história de Portugal é revista à luz de acontecimentos anedóticos que desmentem a grandiosidade sugerida pelos livros de História. A intimidade e os objetivos bem mais terra a terra das suas personagens devolvem-nos, não os atos heróicos de um passado distante, mas a herança mais recente do país ainda como existe. A expansão marítima portuguesa teve início em Ceuta, e esta Conquista de Ceuta é também um regresso à história, à história recente de que somos os herdeiros diretos.

 

 

TRAVESSA DA ESPERA (O PALCO É A CIDADE)

Diana de Sousa

13-15 outubro

Palácio dos Correios (Praça General Humberto Delgado, 266)

21h30

60 min.

M12

 

O mito de Penélope dá conta de uma das mais vividas imagens de feminilidade, a da mulher que espera pelo amor e enquanto espera, pacientemente, borda e tece.

 

Ulisses, o herói aventureiro, emigrou e tarda em regressar a casa; Penélope, a esposa resiliente, ficou para trás e aguarda e... enquanto espera, tece histórias e perguntas: se Ulisses é um emigrante, que transformações provoca na Penélope que é deixada ao abandono? Quantas - e quão diversas - Penélopes existem na cidade do Porto? Quantas histórias por detrás dessas mulheres? Que papel desempenham nos vários domínios da sua vida familiar e profissional? Que lugar na comunidade ocupam? Que inquietações?

 

No fim, guardamos só os testemunhos que nos lembram que o amor não é só exaltação, mas também contradição.



Todas as atividades são de entrada gratuita e abertas ao público em geral.