Projeto combate solidão dos idosos
20-04-2018

"Porto. Importa-se" é o projeto feito ao encontro dos idosos em situação de isolamento que vivem nos bairros municipais do Porto. O conhecimento profundo da realidade desta população serve de base a um trabalho, realizado em rede, que transforma as políticas sociais, nomeadamente na área da habitação, como hoje salientou Rui Moreira.



Dos cerca de 30 mil inquilinos dos bairros sociais do Porto, sete mil têm mais de 65 anos e, destes, mais de 2500 vivem em situação de isolamento. Estes são já dados do projeto "Porto. Importa-se", direcionado para uma intervenção técnica e social direta sobre esta população-alvo residente no parque habitacional gerido pela Câmara do Porto, através da empresa municipal Domus Social, e cujo diagnóstico decorre desde setembro de 2017, devendo estar concluído neste verão.


Na apresentação às instituições de solidariedade social, que decorreu esta tarde no Coliseu Porto, o presidente da Câmara do Porto explicou que é necessário alterar a visão sobre as políticas sociais, nomeadamente na área da habitação.


"Aquilo que nós estamos a procurar com este projeto é dar uma resposta que tem que ir para lá da tradicional na habitação social"; uma visão de paradigma que necessita de ter "um diagnóstico das necessidades, uma política de acompanhamento, envolver a rede social, parceiros", referiu Rui Moreira. Tudo "no sentido de que essas pessoas não sucumbam ao isolamento e não estejam, no fundo, perdidas naquilo que é a habitação social".


Concretamente, o "Porto. Importa-se" irá incidir sobre a população de idosos em situação de isolamento com mais de 70 anos e casais de seniores com mais de 75 anos, num universo aproximado de 2541 pessoas. Destes, 70% são do sexo feminino, 56,6% têm rendimentos mensais inferiores a 500 euros, 56,7% vivem sozinhos e 48% referem sentir-se sozinhos, apresentando risco de isolamento social.


"Sabemos quantas pessoas são, sabemos quem são, sabemos onde vivem, mas agora precisamos de ir mais além, de ir à malha fina e perceber dentro de cada uma destas realidades o que é que cada uma destas pessoas necessitam", disse o edil do Porto.





Fernando Paulo, vereador responsável pela Habitação Social e Coesão Social, precisou que respostas poderão vir a ser asseguradas, umas através da contratualização, outras por ação da rede de voluntariado, tendo sempre como praceiros privilegiados as instituições particulares de solidariedade social e as juntas de freguesia.


"Por vezes, são coisas tão simples como garantir uma companhia, ao médico e em algumas atividades de recreio e lazer", referiu o vereador, tudo "no sentido de garantir que as pessoas com maior longevidade do Porto tenham qualidade de vida".


Fernando Paulo referiu ainda que este é um projeto pensado também para dar "respostas novas" e que, a esse nível, o apoio domiciliário tipificado "pode configurar o apoio na alimentação ou na higiene pessoal ", sendo que o trabalho não se esgota aí.


"Hoje há outras respostas que temos de garantir, nomeadamente cuidados de saúde ao nível da enfermagem. Terá de haver respostas atípicas em algumas situações", sublinhou o vereador.


Rui Moreira deu ainda conta da preocupação deixada pelos quadros dos Centros Hospitalares do Porto, com quem esteve reunido, devido aos problemas causados pela continuação dos idosos nos hospitais após receberem alta.


Desenvolvido com o apoio técnico do Instituto Superior de Serviço Social (ISSSP) e em parceria com as Juntas de Freguesia e estruturas locais de solidariedade social, o "Porto. Importa-se" obedece a uma metodologia de implementação que parte do reconhecimento profundo da realidade da população visada nos bairros de habitação social da cidade.


Entre as principais linhas de atuação está o desenvolvimento do projeto a partir de um diagnóstico rigoroso e em atualização permanente, colocação de equipas no terreno e construção de uma rede alargada de parcerias e serviços da comunidade com recurso ao voluntariado, bem como a criação de uma plataforma de informação e comunicação em rede entre os técnicos de apoio ao projeto.